Computador da IBM funciona sem processador e é até 200 vezes mais veloz
A IBM tem
um projeto de computador que pretende abandonar o que atualmente é
considerado o “cérebro” de um PC: o processador. A fabricante apresentou
o que chama de “memória computacional”, um mecanismo que usa chips de
armazenamento de informação para realizar o processamento dos dados.
Segundo os pesquisadores, uma máquina com essa tecnologia é capaz de
fazer cálculos e guardar dados no mesmo lugar. Com isso, é possível
economizar energia e alcançar uma velocidade até 200 vezes maior em
comparação com computadores clássicos de ponta. Entenda, nas linhas a
seguir, o que é in-memmory computing e como funciona o projeto da IBM.
In-memmory computing
O computador sem processador da IBM se baseia no conceito de in-memmory computing,
um tipo de computação que acontece dentro do chip de memória. O método
difere de computadores e smartphones convencionais, que contam com dois
elementos físicos independentes para armazenar e processar informações: o
processador e a memória. Máquinas que usam in-memmory computing podem dispensar a CPU no funcionamento.
A novidade evita que os dados sejam transportados a todo momento entre o
processador e a memória – o que torna a computação mais eficiente. Em
computadores pessoais, a diferença de eficiência pode não ser tanta. No
entanto, segundo o pesquisador da IBM Abu Sebastian, a alternativa tende
a ter impacto relevante em sistemas de inteligência artificial.
Memória computacional
O mecanismo funciona com chips de memória específicos que a IBM chama
de memória computacional. Os componentes são feitos de uma liga composta
de germânio, telúrio e antimônio, materiais que respondem de maneira
eficiente aos estímulos elétricos. Segundo os pesquisadores, o
comportamento físico do material é essencial para dotar a memória de
capacidade computacional.
Chips de memória não são feitos para executar os cálculos típicos de
unidades de processamento, algo que obrigou a IBM a buscar por
alternativas para unificar as funções. Para isso, os cientistas
exploraram os atributos físicos e as dinâmicas de estado dos
dispositivos de memória. Ao receber uma corrente elétrica, o material
sofre alterações que fazem a memória realizar cálculos baseados nas
modificações da estrutura.
Por armazenar e processar informações no mesmo dispositivo físico, o
conceito de memória computacional da IBM lembra o modo de funcionamento
do cérebro humano.
Testes
Um dos testes envolveu usar chips de memória e um algoritmo simples
para recriar um desenho do rosto de Alan Turing, considerado o pai do
computador. A tarefa foi realizada com sucesso por um milhão de unidades
de memórias computacionais sem ajuda de processamento externo. Em um
experimento mais sofisticado, os pesquisadores usaram a invenção para
analisar dados meteorológicos dos Estados Unidos coletados durante seis
meses. A IBM já marcou para dezembro mais uma demonstração da
tecnologia.
As aplicações da memória computacional são variadas, incluindo Internet
das coisas, mídias sociais e praticamente qualquer tipo de operações
lógicas e resolução de problemas de otimização de sistemas.
Via IBM
