Uma pesquisa realizada pela Abrahosting (Associação Brasileira das
Empresas de Infraestrutura e Hospedagem na Internet) estimou que cerca
de 60% de todo o tráfego de dados que atinge a estrutura de provedores
brasileiros é constituído por mensagens e interações geradas por códigos
robóticos (bots). Este percentual inclui tanto mensagens de e-mail e
solicitações de acesso originadas a partir de bots "benignos" quanto a
partir de redes de máquinas escravizadas (as botnets), que transformam
computadores de usuários inocentes em “estruturas zumbis” para a
propagação em massa de malwares ou links de propaganda invasiva.
Segundo
os participantes do estudo, desse tráfego gerado pelos robôs, algo em
torno de 45% é de natureza inofensiva, como gerenciadores de busca por
palavras-chave ou verificadores de versões de software para atualização.
Contudo, todo o resto (55%), resulta de eventos maliciosos, como a
disseminação de spam ou a geração de links em cascata, seja para
ludibriar usuários desavisados ou para influenciar sistemas analíticos
de modo a inflar a medição de audiência de sites ou publicações.
Os robôs vão dominar a internet
De
acordo com Vicente de Moura Neto, presidente da Abrahosting, a presença
de interações robóticas tende a crescer e predominar amplamente no
tráfego da Internet. Entre os motivadores da tendência estão o
crescimento das redes sociais, os games robotizados e o rápido avanço
dos sistemas de atendimento por "chatbots" ou bots de instrução, que
emulam a linguagem humana para substituir atendentes (ou tutores) em
áreas como vendas, suporte técnico, roteirização urbana e até ensino à
distância.
Os
bots já não interagem apenas com os humanos, pois há um crescente
movimento de comunicações de bot para bot que se tornará ainda mais
visível
"O uso de software analítico começa a se tornar
quase banal e a impulsionar a nova classe de aplicações cognitivas. Os
bots já não interagem apenas com os humanos, pois há um crescente
movimento de comunicações de bot para bot que se tornará ainda mais
visível com a proliferação da Internet das Coisas", alertou Moura Neto
em comunicado oficial da Abrahosting.
O questionário da pesquisa
sobre Tráfego de Robôs foi enviado para uma base de provedores de
hospedagem que concentram cerca de 60% de todo o tráfego da internet
brasileira. Entre os participantes estão provedores de serviços de valor
agregado em nuvem específicos para grandes empresas, e grandes
concentradores de serviços múltiplos de hospedagem.
O que fazem
Segundo
Rafael Abdo, gerente de segurança da Locaweb, o reconhecimento de robôs
é um dos pontos estratégicos das ações de segurança envolvendo
diferentes recursos, como a análise dos padrões de comportamento, que
leva em conta a frequência de acessos a sites ou a qualquer outro
dispositivo de rede.
"O uso de robôs na internet é evidente. Um
computador recém-conectado à rede já receberá tentativas de conexão em
poucas horas, mesmo que nunca tenha sido divulgado. Outra situação comum
é a coleta e o processamento, por robôs, de informações para os mais
diversos fins, sem o necessário conhecimento prévio do usuário", explica
Abdo.
As modalidades de bots que mais causam danos na rede são as que realizam ações de data mining
Ainda
segundo a Abrahosting, as modalidades de bots que mais causam danos na
rede são as que realizam ações de data mining, para mapear contas de
usuários e clonar suas identidades para a prática de fraudes. Além dessa
engenharia social, há também os que empregam computação em cluster (a
partir de botnets) para violar chaves de acesso por "stress", ou seja,
pelo uso de milhões de combinações por segundo até a quebra da senha.
As
empresas associadas à Abrahosting, segundo a organização, devem gastar
até o fim de 2017 algo em torno de R$ 90 milhões em segurança para
manter o controle do tráfego e se proteger contra ameaças robóticas na
web. Isso, entretanto, não quer dizer que você esteja seguro na rede. É
muito importante sempre observar o remetente de links enviados a você
por email/mensageiros bem como suspeitar de mensagens que solicitam seus
dados para qualquer tipo de confirmação. Se você quiser saber mais
sobre phishing e diminuir as chances de cair em um golpe, confira nossa publicação específica sobre o assunto.